segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“Deus isso, Deus aquilo.”

Existem algumas coisas na natureza divina que são muito difíceis de entender e mais cedo ou mais tarde um cristão acaba esbarrando em alguma delas. Para mim, o que é mais difícil de entender é a questão da blasfêmia contra o Espírito Santo. Afinal como Deus, um ser tão misericordioso e que se intitula como AMOR, poderia não perdoar algum pecado? Pois é, Jesus durante um de seus discursos pouco tradicionais disse que a blasfêmia contra o Espírito não seria perdoada. Jesus disse isso após operar alguns milagres e ter seus feitos classificados como obras satânicas. É realmente irônico, não?

Mais irônico ainda é o fato que as pessoas que acusavam Jesus de ser o demônio, eram as pessoas conhecidas como as mais espirituais, ícones da religião e totalmente dignas de respeito e admiração.

Como tudo no mundo muda, com essa situação não seria diferente. Hoje os religiosos aderiram ao cristianismo e não atribuem mais a obra de cristo ao "lá de baixo", porém o pecado continua o mesmo, apenas remasterizado e pronto para ser relançado todos os dias e em todas as igrejas do mundo.

Hoje nós atribuímos qualquer coisa que faça bem ao nosso ego à natureza divina, se não queremos algo dizemos "Deus não se agrada disso"; se queremos fazer algo dizemos "isso aí é de Deus" e assim por diante, até chegarmos ao nível máximo de profetas do ego. Profetizamos o que queremos em nome de Jesus; dizemos que Deus vai curar quando Ele não vai; dizemos que Deus vai abençoar quando Ele não vai; dizemos que as coisas vão acontecer, quando não vão e vivemos dizendo "Deus isso, Deus aquilo" quando na verdade o que queremos é que seja feita a nossa vontade, e damos uma conotação mais espiritual para parecer digno o suficiente. Fazemos de Jesus nossa varinha mágica, usando o nome dEle para fazer a nossa vontade.

Se atribuir ao diabo a obra de Deus é blasfêmia, será que atribuir a Deus as nossas vontades não é blasfêmia também? Sendo tal coisa uma blasfêmia, não seria imperdoável? Enfim, melhor ponderar o que se fala antes de correr o risco!

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